Surto que matou 15 bebês revelou que Phytobacter diazotrophicus ainda é confundida em exames laboratoriais.
Em 2013, um surto de sepse atingiu 65 recém-nascidos em quatro estados brasileiros, resultando na morte de 15 prematuros. A investigação revelou que a bactéria responsável, inicialmente identificada como Pantoea, era na verdade a Phytobacter diazotrophicus, uma espécie difícil de reconhecer pelos métodos tradicionais de diagnóstico. Essa bactéria emergente pode se “disfarçar” em exames, sendo frequentemente confundida com outros microrganismos, o que dificulta o controle e o tratamento adequado.
Mesmo com avanços tecnológicos, como a espectrometria de massa e o sequenciamento genético — considerados os melhores métodos para identificação —, essas ferramentas ainda são pouco acessíveis, presentes em cerca de 10% dos laboratórios brasileiros. Isso aumenta o risco de subnotificação e atraso no reconhecimento de surtos causados por essa bactéria, que tem capacidade de se espalhar em ambientes hospitalares por meio de soluções e superfícies contaminadas.
A descoberta levou a uma revisão dos procedimentos laboratoriais e a um alerta para a comunidade médica, destacando a importância do uso de tecnologias avançadas para garantir diagnósticos precisos e a escolha correta do tratamento. Em 2023, um surto menor da mesma bactéria ocorreu em uma clínica de hemodiálise no Paraná, mas sem vítimas fatais, reforçando a necessidade de monitoramento constante.
Pesquisas indicam que o Phytobacter diazotrophicus pode portar genes de resistência a antibióticos potentes, o que aumenta o desafio para a medicina. A integração entre hospitais, laboratórios públicos e centros de pesquisa é apontada como caminho para melhorar a identificação e o combate a essa ameaça invisível.
Com informações do g1.