Esquema usava envenenamento e resgates falsos para lucrar com seguros e hospitais.
Uma investigação policial no Nepal revelou um esquema bilionário de fraudes no turismo do Himalaia, que envolvia envenenamento proposital de alpinistas para forçar resgates médicos desnecessários. O relatório, com mais de 1.200 páginas, identificou 33 suspeitos, incluindo donos de agências, operadores de helicópteros e executivos hospitalares.
O grupo contaminava alimentos dos turistas com substâncias como bicarbonato de sódio e até fezes de rato, causando sintomas que simulavam o mal de altitude. Além disso, os guias pressionavam os alpinistas a aceitar evacuamentos urgentes, muitas vezes usando medicamentos de forma indevida para agravar os sintomas.
Os resgates por helicóptero eram superfaturados, cobrando múltiplas vezes o valor do mesmo voo, e hospitais criavam registros médicos falsos para justificar internações. Câmeras de segurança flagraram pacientes “gravemente doentes” circulando normalmente. A fraude teria movimentado cerca de R$ 100 milhões entre 2022 e 2025.
Mais de 4.700 turistas foram prejudicados, e o governo do Nepal teme o impacto à imagem do país e a suspensão de coberturas internacionais. Dos investigados, 23 continuam foragidos e podem responder por crimes graves. As autoridades buscam recuperar os valores desviados e proteger o setor que gera mais de um milhão de empregos no país.
Com informações do g1 Mundo.