O Equador deu início a uma operação de duas semanas para combater as organizações de narcotráfico, com suporte dos Estados Unidos. A ação inclui toques de recolher rigorosos em províncias costeiras consideradas as mais afetadas pela violência. O objetivo é conter índices elevados de homicídios, desaparecimentos e extorsões, que continuam altos mesmo após políticas duras adotadas pelo governo de Daniel Noboa nos últimos dois anos.
Até o fim de março, as forças militares equatorianas, com assessoria americana, vão intensificar as ações contra o narcoterrorismo. O ministro do Interior, John Reimberg, alertou a população para evitar sair às ruas durante o toque de recolher, que vigora das 23h às 5h, com exceções apenas para profissionais essenciais e viajantes com passagens.
Embora não produza cocaína, o país se tornou rota principal para a droga que segue para os Estados Unidos, elevando a taxa de homicídios a 52 por 100 mil habitantes, uma das maiores da América Latina. A medida tem gerado críticas, especialmente de trabalhadores noturnos e comerciantes, que enfrentam perdas e dificuldades para cumprir os horários restritos.
A parceria com os EUA é parte da aliança regional "Escudo das Américas", que reúne 17 países na luta contra o narcotráfico. Além do treinamento e apoio logístico, o Equador inaugurou recentemente um escritório do FBI em seu território e realizou operações conjuntas contra grupos armados na fronteira com a Colômbia. Apesar do apoio internacional, a ofensiva provoca divisão interna devido a denúncias de abusos durante estados de exceção.
O toque de recolher, embora necessário para conter a insegurança, coloca em evidência o desafio de equilibrar segurança pública e direitos civis, em um país que rejeitou a volta de bases militares estrangeiras em referendo recente.
Com informações do g1 Mundo.