Santa Catarina, maior produtor do país, enfrenta perda histórica na produção de ostras devido ao aumento da temperatura da água.
Santa Catarina, responsável por mais de 90% da produção nacional de ostras, deve registrar uma queda de até 90% na safra deste ano. A crise, atribuída às mudanças climáticas e ao aquecimento das águas do mar, já impacta severamente os produtores locais. Paulo Antônio Constantino, que trabalha com ostras há três décadas, enfrenta prejuízo de R$ 1,5 milhão e está com estoque quase zerado pela primeira vez.
Para minimizar perdas, Constantino começou a vender ostras consideradas “refugo”, que não são ideais para o consumo. A fazenda dele precisou reduzir o quadro de funcionários e vai operar em regime parcial nas próximas semanas. O cenário é semelhante em outras regiões, como no sul da Ilha de Santa Catarina, onde produtores também demitiram trabalhadores e descartam parte da produção ainda no manejo.
O problema coincide com a Semana Santa, período de maior procura pelo molusco, o que agrava a redução da oferta e a reação dos consumidores. Pesquisadores apontam que as temperaturas elevadas em janeiro e fevereiro são a principal causa da mortandade das ostras, junto a outros fatores ambientais ligados às mudanças climáticas.
O setor busca alternativas para enfrentar a crise, como apostar na comercialização de ostras processadas, em vez do produto in natura. A Federação de Empresas de Aquicultura reivindica ações emergenciais e linhas de crédito mais amplas. Embora o governo estadual tenha liberado empréstimos a juros zero de até R$ 50 mil, os produtores consideram o valor insuficiente para cobrir os prejuízos.
Com informações do g1.