O funk paulista transforma os golpistas digitais conhecidos como “Raul” em personagens da cultura popular.
Nos últimos anos, o nome Raul virou sinônimo de estelionatário digital em São Paulo, ganhando destaque nas letras do funk local. A origem do apelido está ligada a um equipamento usado para clonar cartões em caixas eletrônicos, conhecido como “Raul” ou “chupa-cabra”, e adotado pelos criminosos para se identificar. Esse fenômeno tem sido amplamente explorado por MCs que narram não só os golpes, mas também o estilo de vida ostentado com o dinheiro obtido ilegalmente.
Artistas como MC Kelvinho e MC Kapela têm milhares de visualizações ao abordar essa temática, enquanto novos funkeiros veem no universo dos Rauls um tema atual e rentável, similar ao funk ostentação dos anos anteriores. A cultura em torno desses criminosos inclui até um código de vestimenta, com roupas e acessórios específicos que reforçam a identidade do grupo.
O interesse pelo tema vai além da música. A Netflix anunciou para 2025 a série “Rauls”, que deve explorar o mundo dos estelionatários digitais, com participação de MCs que já cantam sobre o assunto. Pesquisadores apontam que o crescimento desse tipo de crime está ligado a fatores como o PIX e a pandemia, além do perfil jovem e tecnológico dos envolvidos.
Enquanto a polícia ainda busca entender essa nova faceta do crime organizado, o funk segue documentando, de forma direta e realista, a vida dos Rauls — dos golpes às baladas, das roupas às gírias —, consolidando seu papel como cronista das transformações sociais nas periferias paulistanas.
Com informações do g1 Pop & Arte.