Documentário retrata o show de 1975 que enfrentou censura e marcou a carreira do cantor.
O filme “Vivo 76”, dirigido por Lírio Ferreira, revisita a trajetória de Alceu Valença até o emblemático show “Vou danado pra Catende”, realizado em 1975 na Praia de Copacabana. Na ocasião, o artista promoveu a apresentação com um megafone, em um esforço para driblar a pouca audiência e a resistência da elite cultural durante o regime militar. O espetáculo, que inicialmente tinha público reduzido, acabou se tornando um marco em sua carreira e originou o álbum “Vivo!”, de 1976.
O documentário acompanha desde a infância de Alceu em São Bento do Una (PE), passando pelo lançamento pouco impactante do álbum “Molhado de suor” (1974), até o auge da fase em que mesclava elementos nordestinos com o rock. Entre entrevistas com o próprio cantor, críticos e pesquisadores, o filme traz também depoimentos do parceiro Geraldo Azevedo, que relembra a repressão e tortura sofridas por artistas contrários à ditadura.
A narrativa ganha tom político ao mostrar as dificuldades enfrentadas por Alceu, tachado de “louco” e “maluco” por seu visual e postura, e destaca a criatividade do cantor para se manter ativo, mesmo em meio à censura. A estratégia de levar o show para a praia, junto com sua banda, que incluía um jovem Zé Ramalho, foi decisiva para reverter a situação e garantir o sucesso do projeto. “Vivo 76” estreou como atração principal do festival É Tudo Verdade, reforçando a importância histórica e cultural do momento.
Com informações do g1 Pop & Arte.