Especialista destaca como o medo e o silêncio marcaram o período autoritário no Brasil.
O filme "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, retrata a ditadura brasileira como um regime que usava o terror psicológico para controlar a população. O psicanalista Rafael Alves Lima, da USP, explica que o medo constante e a censura criaram um ambiente de silêncio, onde falar era arriscado. Esse clima afetou não só os perseguidos, mas toda a sociedade, que vivia sob vigilância e desconfiança.
Lima ressalta que a violência estatal não se limitava a opositores organizados. Muitas pessoas, mesmo sem envolvimento político ativo, foram alvo de perseguição arbitrária, como mostra o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura. O autor destaca ainda a aliança entre militares e elites civis, que reforçou o autoritarismo e a repressão.
Para o psicanalista, reconhecer os traumas causados pela ditadura e promover políticas de memória são essenciais para evitar a repetição desses abusos. Ele alerta também para a continuidade da violência estatal hoje, especialmente contra populações negras e periféricas, e para a importância de uma escuta crítica que leve em conta o contexto histórico e social.
Com informações do g1 Pop & Arte.